Para Onde Vai o Meu Mundo?

Na última semana de setembro ficamos abismados com a notícia de que uma criança de 10 anos, aluno da 4ª série do Ensino Fundamental em São Caetano do Sul, atirou em sua professora e logo em seguida se matou com um tiro na cabeça. Ele usou um revolver calibre 38 de seu pai que é guarda municipal. Os professores, alunos e funcionários da escola ficaram chocados e psicólogos ajudam na tentativa de restaurar o ambiente emocional daquele lugar. Uma tragédia!

A questão fica mais complexa quando depoimentos revelam um “bom menino” que provocou tamanha perplexidade em todos nós. Mais um complicador é o fato de ele ter premeditado a ação usando um revolver que é bem pesado e difícil de manusear; além disso, apertar um gatilho não é nada fácil, física e emocionalmente falando. Há necessidade de muita “força”. Isso me choca mais ainda.
Precisamos perguntar a nós mesmos para onde está indo este mundo. Mas quando falamos de mundo “lá fora” a pergunta se transforma num argumento de retórica; perguntamos por perguntar; indignamos, por indignar. Penso que a pergunta deve ser feita alterando a localidade do mundo: pra onde estou levando o meu mundo?
 

O cotidiano estressante e uma sociedade extremamente competitiva têm levado famílias a serem complacentes com elas mesmas. Isso é um risco muito alto de continuarmos perpetuando essa situação. Os pais, agora mais velhos que em gerações passadas, além de agendas lotadas, não têm a mesma firmeza na educação de seus filhos (nem com eles mesmos!). Aliado a isso, há um sentimento de culpa que eles transferem e canalizam para uma atitude de “super proteção”, que provoca estragos imensos na personalidade dos pequeninos em formação. Não disciplinamos nem impomos disciplina, temerosos de que eles fiquem “contrariados” conosco; também pela constante ausência física e afetiva.
 

A situação fica a cada dia mais complexa. Agora são os “bons meninos” de “famílias boas” que cometem crimes. A culpa é dos “bons pais” que se esqueceram de serem bons o bastante e são hoje somente “bonzinhos”. Deixaram de ser educadores e modelos para seus filhos para se sujeitarem a seus desejos e vontades.
Temos a responsabilidade da retomada de nossos mundos. Preciso levá-lo a uma reflexão séria: para onde você está conduzindo seu mundo? Cuidado para não ser a próxima vítima. Cuide de sua casa provendo amor, respeito, limites, bons valores e, acima de tudo, temor a Deus. E que Ele nos ajude!



Rev. Robson Gomes
Teólogo pela Union Theological Seminary, Richmond, EUA
Igreja Presbiteriana Missional do Buritis
robsongomes@ipmburitis.com.br



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